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Anna Back

Busco em minhas lembranças, em minha distante infância,
Do meu tempo de criança, uma história pitoresca,
Que me vem à cabeça, como num clarão.
Do crepitar da labareda, que clareava parcamente,
As pessoas, ali sentadas e deveras defumadas;
A cozinha sem assoalho ou mesa, chamada “Cozinha de Chão”.

Durante o dia, ficava vazia... Somente o chão, bem varrido.
E os restos do fogo erguido, na noite anterior, bem no centro.
A coruja lá fora piava... Frio! O tempo era adverso.
Pelos cantos, alguns cestos de milho a ser debulhado.
Trabalho compartilhado pela família inteira.
Que arrodeava a fogueira, para ouvir causos e versos.

Cômodo intermediário entre a cozinha e o galpão,
Ali era o fogo de chão, que aquecia as noites geladas.
A reunião acontecia com a família ou vizinhos
Que das proximidades vinham a eles juntar-se.
Para um dedo de prosa, falar do tempo ou da lida,
Das coisas corriqueiras da vida, conversa boa e animada!

Histórias ouvidas, vividas ou inventadas,
Que à semi-luz do ambiente, sugeriam fantasmas pálidos,
Que subiam do fogo cálido e davam medo na gente.
Ir para a cama, sozinho, era um caminho sombrio.
Que a luz da lamparina, desenhando figuras na parede,
Fazia subir pela coluna, um teimoso arrepio!

Também remonta aos tropeiros que aqui nestas paragens,
Faziam suas viagens e do fogo de chão se valiam.
Nas paradas de descanso, às margens de um rio manso,
Nas noites frias, implacáveis, juntavam lenha e tição.
Para se aquecerem, ou mesmo, preparar a refeição.
E deixaram em nossa história, esse costume, essa tradição!

Maio/2026

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