?Toquei tanto que foi de derreter o fole da sanfona?

 Muito bem humorado, Carmosino Lourenço da Silva, popular Quinho Pedroso, lembra das histórias de quando caía na estrada com sua gaita, tocando bailes por todo o país.

Morador de Otacílio Costa, mas natural de Fraiburgo, Quinho vive com a esposa Neusa Vera Vieira Farias, também conhecida como Serraninha, sua parceira na carreira, quando tiveram dupla e lançaram até o álbum “Serrano & Serraninha e Grupo Cinco Estrelas”, com participação do músico Alair Barbosa (Tio Laia), formado por 13 composições próprias do casal.

“A gente gostava de escrever, agora que paramos um pouco, mas ainda temos o cd para venda, para quem tiver interesse”, adianta Seu Quinho.

Ele conta que se criou no interior e sempre via seus familiares tocando gaita e cantando, ficando com vontade de fazer o mesmo.

“Quando eu era pequeno, com uns 9 anos de idade, esperava meu pai sair para poder mexer na gaita dele, pois ele tinha muito ciúme e não deixava a gente tocar, foi assim que fui aprendendo”, diz.

Foi assim escondido que ele aprendeu, até o dia em que seu pai, Gentil Lourenço da Silva, conhecido como Lulu Pedroso, chegou e o pegou tocando. “Depois que ele viu que eu já sabia tocar não se importou mais de eu pegar a gaita, tocamos muitos bailes juntos”, lembra o músico.

Seu Quinho fala que tocava matinê para os idosos, tocou um ano na Rádio Clube de Lages e na TV Planalto, no programa Roda de Chimarrão.

“Quanto tocava gaita com meu pai não tinha a tecnologia que temos hoje, era só a gaita e a voz mesmo”, conta ainda da vez em que tocou na cidade de Blumenau e o calor era tão grande que chegou derreter o fole de sua sanfona, de tanto tocar. Dessa época ele diz sentir saudade.

“É muito bom estar no palco vendo os outros se divertindo com a tua música, não há preço que pague”, cita.

Sua preferência é de música gaúcha de raiz. Hoje ele foi abatido por uma doença que travou parte de seus dedos, não podendo mais tocar.

“Mesmo assim de vez em quando ainda pego a gaita e tento tocar um pouquinho”, explica que está guardando o instrumento para passar para seu neto Jorginho, de 7 anos que já está aprendendo a tocar com o avô.

“Ele mora em Indaial e sempre que vem aqui já tenta tocar, ele é interessado e acho que vai seguir tocador”, brinca Quinho.

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