Edição 310 - 26 de maio de 2016
Otacílio 2016: Há 'ajustes' que veem para o bem?
"O defunto nem esfriou e já estão discutindo a herança". Comparação meio pesada foi pronunciada por liderança regional do mesmo PSDB de Silvano Antunes Cardoso. A ponderação se refere ao futuro do espaço tucano na coligação com Tio Ligas, visto que dificilmente os envolvidos sobreviverão politicamente depois dos Ajustes do Gaeco. "Vamos com calma. Deixa a coisa clarear melhor". Diz-nos o tucano enquanto aguarda a acomodação das placas tectônicas, depois do terremoto político com elevado índice na escala, decorrente da prisão dos dois maiores líderes do PSDB em Otacílio Costa.
Da parte de Tio Ligas prevalecerá silêncio sobre os parceiros encrencados. Será necessário aguardar o desenrolar dos procedimentos. Depois da soltura de Silvano Cardoso e Lindomar Alves eles têm dois caminhos: Buscar provar inocência ou o recolhimento (mesmo que temporário) da política para não atrapalhar os companheiros. Liderança que ouvimos, aponta por outro lado, que foi uma forma de Tio Ligas se livrar de um incômodo, sem precisar sujar as mãos. No caso, sem precisar ele mesmo afastar Silvano da parceria. "E saiu barato para o prefeito. Porque do jeito que as coisas eram conduzidas, Tio Ligas poderia ter saído bem mais arranhado desse episódio", acena a liderança que acredita na superação do baque pela administração.
Em não tendo o PSDB como vice, por causa da tendência natural de expurgar Silvano Cardoso da dobradinha, outros partidos podem desejar integrar o projeto com Tio Ligas. Espaço aberto para diálogos com siglas que estão flutuando 'no mercado' podendo estar de um lado, do outro ou como via alternativa. Será que existem 'ajustes' que veem para o bem? Saberemos nos passos seguintes do processo político de Otacílio Costa!
HABEAS CORPUS - Coube aos advogados Maurício Ribeiro e seu pai, Luiz Carlos Ribeiro, a tarefa de perseguir o livramento de Silvano Antunes Cardoso, daquela situação incômoda de estar recolhido a um presídio. Desde o princípio, o advogado Luiz Carlos Ribeiro nos dizia que o fato de ser advogado dava a Silvano a prerrogativa de recolhimento diferenciado. E foi isso que permitiu que, na segunda-feira, o vice-prefeito fosse recolhido em prisão domiciliar, a partir de habeas corpus deferido pelo desembargador Carlos Alberto Civinski. Durante o efeito da prisão domiciliar, se Silvano colocasse o pé na rua, seria preso por descumprimento da ordem judicial.
PRISÃO NA PM - Na verdade a falta de estrutura conspirou a favor de Silvano Cardoso. Era para ele ficar preso no quartel da PM em Lages - lá onde ficou detido o prefeito Elizeu Mattos. Porém, por causa da Festa do Pinhão, a corporação não tinha espaço e nem condições de fazer alimentação ao preso. Transferido para o Quartel do Corpo de Bombeiros em Otacílio Costa, o local se mostrou incompatível para atender a medida coercitiva. Assim, houve o argumento no habeas corpus da referida situação e se decidiu pela prisão domiciliar.
FATOR SILÊNCIO - Muitas pessoas ponderam sobre a diferença de tratamento entre Willy Brun Filho, preso na operação e os otacilienses. Ocorre que o ex-gerente da Fatma, ao ser ouvido pelo Gaeco, informou de forma detalhada sobre a situação investigada. Respondeu todas as perguntas, inclusive para tentar esclarecer aquilo que lhe envolve. Porém, tanto Silvano Cardoso quanto Lindomar Alves foram orientados a permanecer em silêncio, calados, perante os depoimentos ao Gaeco. Assim, a prisão restou necessária para concluir a investigação. Talvez se tivessem aberto o bico, fossem liberados.
OS PECADOS - Na nota oficial do prefeito Tio Ligas sobre a operação Ajuste, ele relaciona licitações que são alvo do Gaeco. Uma delas se refere à locação de um veículo que, embora, por pregão presencial, gerou suspeita. Mas o problema maior é com outras duas de 2014 e 2015 para contratação de empresa/profissional para palestra aos servidores da área da Saúde. Tio Ligas informa que a palestra aconteceu. Porém, os investigadores desconfiam dos valores pagos e da forma como se desdobrou o processo licitatório. Tudo foi feito pelo Fundo Municipal de Saúde, sob a batuta do então secretário e vice-prefeito.
TÔ FORA - Prefeito Tio Ligas fez questão de reforçar: "Meu nome não está envolvido nas investigações. Não fui intimado para depor, não tenho envolvimento nenhum com o que está sendo investigado e não compactuo com este tipo de práticas investigadas". O prefeito se esforça para manter a agenda positiva no Paço, para tentar neutralizar ou reduzir a enxurrada de comentários sobre os 'Ajudes do Gaeco'.
O QUE DIZ O PMDB? - "É lamentável minha cidade sendo noticiada de forma tão negativa". Essa foi a única frase de Altamir Paes (PMDB) relacionada ao banzé em Otacílio Costa em decorrência da operação do Gaeco. Embora tenha evitado manifestações, é inquestionável que, politicamente, ninguém ganha mais com as estripulias dos 'ajustes' que o prefeiturável peemedebista.
APAE DE OTACÍLIO - Quem também está se aligeirando para aprovar repasse de recursos é o deputado Gabriel Ribeiro (PSD). Ele explica que, por ser ano de eleição em municípios, o Estado não pode repassar dinheiro direto às entidades. O fará através de prefeituras. E nesse sentido, a intenção é viabilizar R$ 297 mil para a compra de um ônibus adaptado para uso pelos alunos da Apae de Otacílio Costa. Que venha!
MARIANI EM BOCAINA - "A questão da responsabilidade será forte nessas eleições. Não dá para prometer o céu aqui na terra. Não tem mais espaço para os vendedores de ilusão". Palavras do presidente estadual do PMDB, deputado Mauro Mariani, ao participar da inauguração da Casa de Arremates em Bocaina do Sul ao lado do ex-colega de Assembleia Legislativa, Romildo Titon e do prefeito Luiz Schmuller.
DADOS DA PALMEIRA - Vereador Sandro Masselai (PP), dentro do prazo regimental, recebeu a relação de cargos que tinha solicitado à Prefeitura de Palmeira. Explica que o conteúdo veio bem embasado pela assessoria jurídica, mas o documento veio incompleto. "Deixei bem claro no pedido que o relatório deveria constar o Nome, Cargo, local de trabalho e a 'Remuneração'. Foi onde o Executivo não entendeu ou não sabe a diferença entre Vencimento e Remuneração", diz Masselai. E aproveitando a presença do próprio prefeito Durica na Câmara, o vereador solicitou os dados corretos.
GREVE NA PALMEIRA? - Lúcia Coelho, que preside o Sindicato dos Servidores Municipais de Otacílio e Palmeira, fez circular uma nota de repúdio à administração palmeirense. Tudo por conta do tratamento dispensado ao funcionalismo municipal. Reclama-se das perdas dos últimos anos que, somadas, chegam a 35% dos salários. E pondera também a respeito do não pagamento do piso do magistério aos professores. Por conta disso, aponta a nota do Sindicato, os servidores da Palmeira estão em 'estado de greve'.
FUNDO DE GUAMPA - Situação do prefeito Durica, assim como da maioria dos prefeitos, é mesmo complicada: Se atender o pleito do funcionalismo, eleva o gasto com a folha e pode até romper o índice de gastos permitido em lei. Se não atender sofre desgaste por causa da insatisfação daqueles que tocam a prefeitura. O ideal seria demitir comissionados e, eventuais apadrinhados (não sei se isso tem em Palmeira) e tentar dar o reajuste pretendido, ou próximo disso, aos servidores.
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