Imagem principal

URNA ELETRÔNICA: A GUARDIÃ DO VOTO

Estão logo ali as eleições e lá vem ela, toda prosa, desfilando na passarela da democracia: a urna eletrônica. Aos 30 anos de idade, já participou de 15 eleições brasileiras e, para medir alguns dados, 571.024 urnas eletrônicas foram usadas e 155 milhões de brasileiros votaram nelas em 2024, no maior pleito informatizado do mundo.

Antes das urnas eletrônicas, um sem-número de fraudes acompanhavam a votação e a apuração dos votos. Entre elas, urnas que já vinham com alguns votos dentro antes de começar a votação, seções em que havia mais de 100% de votos, votos de pessoas mortas ou de pessoas ausentes da votação, anulação de votos por causa da letra do eleitor ou contagem a mais ou a menos dependendo do candidato, fraudes durante o transporte...  

Há quem ponha em dúvida a lisura da votação eletrônica, mas isso vem de políticos que não recusaram os votos recebidos quando se elegeram por meio da mesma; assim como vem de eleitores que não reclamaram quando seu candidato foi eleito. Nas eleições de 2024, foram eleitos prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de 5.569 municípios brasileiros. Ninguém contestou os resultados.

Mas ao longo de décadas de escrutínio via urna eletrônica houve acusações de possíveis fraudes que, investigadas, resultaram em zero comprovação. Também surgiu a acusação de que as urnas eletrônicas são fabricadas na Venezuela, o que as poria em desconfiança. Segundo o TSE – Tribunal Superior Eleitoral, as mais de 1,4 milhão de urnas usadas no Brasil foram montadas por quatro empresas brasileiras: Positivo Tecnologia, Diebold, Unisys Brasil e Procomp. Todas contratadas através de licitação.

As urnas eletrônicas passam por uma bateria de provas de segurança desde que saem dos galpões da Justiça Eleitoral até chegar à cabine de votação, passando por mais de dez etapas de fiscalização, garantindo que a engrenagem seja auditada antes, durante e depois das votações. Todo o processo tem representantes do poder público, como Polícia Federal e Ministério Público, e da sociedade civil, como universidades e a Ordem dos Advogados do Brasil. 

Quando se coloca o resultado eleitoral em suspeição pelo uso das urnas eletrônicas, o que se quer é gerar polêmica, plantar dúvidas na cabeça do eleitor para gerar insegurança. Quando vencem, os acusadores dizem que “enfrentaram o sistema” e, quando perdem, dizem que a sua derrota comprova manipulação por parte do sistema. Eles ironicamente usam a palavra ‘sistema’ como se não fizessem parte dele. Sendo detentores de cargos no seu partido ou nos poderes Executivo e Legislativo, eles são o sistema! O que direciona orçamentos, que controla as leis que impactam a vida da grande maioria dos cidadãos.

Ah, mas por que o voto não é impresso?! Seria talvez porque de posse do “recibo” do voto, o eleitor se veria obrigado a mostrá-lo para se justificar diante de alguém superior na família ou no trabalho? Ou talvez para receber o devido suborno pelo voto registrado? Aí se acabaria toda a lisura e a liberdade do voto secreto. Aí as eleições não passariam de um embuste para legitimar uma farsa em que o voto “de cabresto” estaria garantido e a hipocrisia da compra e venda de votos liberada. Ver a foto do seu candidato na tela de votação é insuficiente? Nas teorias de conspiração, sim.

Ao assumir a presidência do Superior Tribunal Eleitoral, em maio de 2026, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, disse que é preciso “preservar, aperfeiçoar e fortalecer continuamente a confiança pública em torno das urnas eletrônicas, para que não haja ameaça à democracia. O sistema de votação brasileiro constitui patrimônio institucional da nossa democracia. No tocante à recepção, à apuração e à divulgação dos votos, é o mais avançado do mundo.”

O Brasil se tornou referência em eleições limpas, rápidas e auditáveis com o uso das urnas eletrônicas. Como majestade que nada impõe, mas sim revela a vontade da maioria que vota, a urna eletrônica é guardiã da democracia. Vestida de verde-amarelo, ocupa o trono da liberdade de votar. Abram alas pra ela passar!

Fonte consultada: Acima de qualquer Suspeita – texto por Bruno Caniato, Isabela Alonso Panho, José Benedito da Silva e Laila Nery. Revista Veja de 31 de julho de 2026. Editora Abril. São Paulo-SP.


Uma história de amor, parceria e novos caminhos: Wanderlei e Terezinha transformam a vida a dois em inspiração Anterior

Uma história de amor, parceria e novos caminhos: Wanderlei e Terezinha transformam a vida a dois em inspiração

Há 16 dias das eleições, presidente Lula assina decreto que recompõe benefícios do Bolsa Família em 15% Próximo

Há 16 dias das eleições, presidente Lula assina decreto que recompõe benefícios do Bolsa Família em 15%

Deixe seu comentário