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OTACÍLIO COSTA 44 ANOS – O NOVO CELEIRO CATARINENSE

Ao completar 44 anos de sua fundação, o município de Otacílio Costa desponta como novo celeiro de Santa Catarina, ocupando, hoje, a 15ª posição entre os municípios com maior área de soja e ficando à frente de municípios como Chapecó e quase empatando com Lages.  A área agrícola do município passou de 700ha em 2010 para os atuais 17.000ha, prevendo-se que atingirá 25.000ha até o ano de 2035. Portanto, o futuro agrícola é muito promissor, contrariando velha crença de que “aqui não adianta plantar, porque lavoura só dá lá pra serra abaixo”.

De acordo com o engenheiro agrônomo Murilo Pereira da Silva Nunes, responsável pelo escritório local da Epagri, grande parte da área de nosso município é formada por terras excelentes para a agricultura e propícias à utilização agrícola de forma mecanizada, porque os solos quase não têm pedras que, em outras regiões, causam sérios danos aos equipamentos agrícolas. Murilo Nunes destaca que a fertilidade do solo de Otacílio Costa é alta, também devido à característica de que temos dias mais quentes e noites mais frias. 

Este conjunto de fatores propiciou, por exemplo, que a safra de soja passasse de 5.500ha em 2016/2017 para 13.200ha em 2025/2026. Com isso, no espaço de 10 anos, o município passou do 36º para 15º maior produtor de soja de Santa Catarina.


POR AQUI, EM SE PLANTANDO, TUDO DÁ

Para as terras de Otacílio Costa é aplicável a frase erroneamente atribuída a Pero Vaz de Caminha, no sentido de que “por aqui, em se plantando, tudo dá”. De fato, por aqui ´tudo que se planta, cresce´. Segundo Murilo Nunes, além da soja, a última safra agrícola de Otacílio Costa teve a seguinte colheita: milho, 2.500ha; silagem, 600ha; feijão, 440ha; e moranga, 200ha. Tivemos ainda boas colheitas de tomate, cebola, mirtilo, amora e framboesa. Em muitas propriedades, na cidade e no campo, frutificam árvores de limão, laranja e bergamota – coisa inimaginável há 40 ou 50 anos.


CAPACIDADE DE ARMAZENAMENTO NO LIMITE

O presidente da Câmara de Vereadores, Luiz Carlos de Oliveira, informa que muitas culturas, como tomate, cebola e moranga, saem das lavouras direto para a Ceasa de São Paulo e, em menor quantidade, para a Ceasa de Florianópolis. Já os grãos, como soja e milho, vão para as unidades de beneficiamento, principalmente da Copercampos, antes de sua destinação final (basicamente, exportação).

Luizinho acentua que o incrível incremento das safras quase chegou a comprometer a capacidade de armazenamento. Segundo alguns produtores, isto provavelmente motivará investimentos para aumento da capacidade de armazenamento, não se desprezando a hipótese de instalação de novas cooperativas num futuro não muito distante.


A VERSATILIDADE DA ECONOMIA OTACILIENSE

Por sua vez, o prefeito Fabiano Baldessar destaca a versatilidade atual da economia de nosso município, coisa inimaginável no passado. Na verdade, a cultura econômica serrana por muito tempo foi calçada na impressão errônea (e preguiçosa) de que não era região boa para a agricultura. Ou seja, o filho não plantava porque seu pai repetia o que o avô e o bisavó sempre afirmavam: “Não adianta plantar. A terra daqui não é pra lavoura”.

Fabiano Baldessar afirma que a coisa mudou muito nos últimos 10 anos. Além de seu incrível avanço na agricultura, atualmente Otacílio Costa é município referência no setor têxtil, na mão de obra industrial metalmecânica, na produção de MDF e de papel/celulose e na implementação de florestas. Acrescenta que a semente de soja aqui produzida é enviada para outros estados e exportada para vários países. Além disso, a qualidade de nossa terra vem atraindo investidores de várias regiões, tanto que as excelentes lavouras de cebola e tomate são 100% de produtores vindos de fora, assim como 80% da produção de soja. E nos campos ainda não tomados pela lavoura, nota-se o crescimento qualitativo da pecuária, por força da modernização dos métodos produtivos. 


SEM PREJUÍZO PARA O SETOR MADEIREIRO/PAPELEIRO

O prefeito Fabiano ressalta que o crescimento agrícola não afeta a manutenção e crescimento de outros pilares da economia otaciliense, que são os setores madeireiro e papeleiro/celulose, porque há espaço e boas condições para todas as variantes da nossa economia.  Esclarece que na floresta, a ´colheita´ ocorre a cada sete anos, pelos desbastes até o final extração, enquanto na lavoura o valor agregado é em ciclo mais curto, porque é anual. E na área industrial, o setor papeleiro mantém ritmo permanente, constante, com significativa participação na economia local. Fabiano ressalta que outro ganho importante com o crescimento da produção agrícola é a sucessão familiar no campo, ou seja, o incentivo à permanência do homem no meio rural.

 

QUEM QUISER PRODUZIR, AQUI SERÁ ACOLHIDO

O secretário Municipal de Agricultura, Marzinho da Silva, não têm dúvidas em afirmar que aqui há muito espaço para quem quer produzir com segurança, boa terra, bom clima e boa infraestrutura. Acrescenta que o arrendamento de terras é uma das opções de muitos dos atuais investidores no setor, mas a compra de terrenos também é uma boa aposta. 

A situação geográfica de Otacílio Costa é privilegiadíssima por estar na área central do Estado, bem servida por estradas, ficando a 250 km de Florianópolis (pela SC-114 e BR-282); a 47 km de Lages (SC-114 e BR-282); a 210 km do porto de Itajaí e a 170 de Blumenau pela BR-470, que passa a 22 km do perímetro urbano de Otacílio Costa. Para a BR-116, são 50 km; para a BR-282, são 36 km. No interior do município, o escoamento da safra é viabilizado por boas estradas vicinais. Além desses aspectos, a região, como um todo, possui clima com as quatro estações bem definidas, sem a ocorrência de catástrofes naturais, como terremotos, grandes enchentes ou vendavais. Enfim, não há exagero quando alguém diz que “aqui, vivemos num paraíso”.


UM POUCO DE NOSSA RICA HISTÓRIA

Otacílio Costa está inserida no contexto histórico, cultural, social e econômico da região do Planalto Serrano, iniciado em 1766, quando o bandeirante Antonio Correia Pinto fundou o povoado de Lages. A região abrigava animais ferozes e arredios índios Xoklengs e Kaigangs, denominados, genericamente, como bugres. Nos seus primeiros 150 anos, a economia da região serrana se limitava basicamente à pecuária. Os antigos tropeiros, no século XIX e até meados do século XX, na região de Otacílio Costa, enfrentaram índios e animais ferozes em viagens de até 40 dias por caminhos precários para levar charque e tropas de gado para São José e Florianópolis, no litoral, e para municípios que hoje margeiam a BR-470, como Rio do Sul, Gaspar e Blumenau. Na volta, traziam farinha de mandioca, trigo, arroz, sal, açúcar, café e frutas. 


A FÁBRICA DE PAPEL E O CAMINHONEIRO 

Na década de 30 do século passado, havia mais de 60 milhões de araucárias para corte no Estado. A exploração da araucária teve seu auge na década de 50, quando Lages chegou a ser o município de maior arrecadação no Estado. Neste contexto, em 1951, nas margens do Rio Canoas e em área, então vinculada ao distrito de Palmeira, começou a ser construída uma filial da Cia. Fábrica de Papel Itajaí, que entrou em operação em 1956, dando início ao período de ouro na exploração da araucária na região, denominado como ´Ciclo da Madeira´. E aí surgiu a figura do caminhoneiro, que, por estradas esburacadas transportava madeira para abastecimento de serrarias e da Papel Itajaí, que em 1958 foi adquirida pelo grupo americano Olin-Mathinsson, que a denominou como Olinkraft. 

A partir de 1960 e até 1990 foi feita a transição para os reflorestamentos de pinus e eucaliptos. Otacílio Costa possui, hoje, a maior área reflorestada de pinus no Estado.


A EMANCIPAÇÃO

A região de Otacílio Costa, inicialmente integrava o distrito de Índios e, depois, o distrito de Palmeira. Na década de 20 do século passado, a área atual da sede municipal era conhecida como ´Casa Branca´, pelo fato de que só existia ali uma casa e a bodega do Sr. Lauro Araújo, pintadas na cor branca. O terreno era da família Deboite e no mesmo local está hoje o prédio da prefeitura.  Em 13.08.1958, pela Lei Municipal nº 180, Otacílio Costa passou a ser distrito, desmembrando-se de Palmeira, e pela Lei Estadual nº 6.059, de 10.05.1982, conseguiu sua emancipação político-administrativa, desmembrando-se de Lages e abrangendo o então distrito de Palmeira, até a emancipação deste, em 18.07.1995.

 

Por, João Carlos Matias, advogado e historiador

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