Radinhos ligados na Copa do Mundo de Futebol de 1970 para escutar os jogos, pois, eram raros os lares que tinham um aparelho de TV com imagens em preto e branco para assistir à conquista do tricampeonato brasileiro, direto do México. Edson (Pelé), Félix, Carlos Alberto, Rivelino, Gérson foram alguns dos destaques do futebol da época. Era natural registrar recém-nascidos com os nomes desses jogadores.
Vieram outras Copas, a conquista do tetracampeonato em 1994 nos Estados Unidos e o pentacampeonato, em 2002, no Japão. A partir daí muitos brasileirinhos nasceram Ronaldos, Romários e Rivaldos, homenageando os futebolistas. Segundo dados do IBGE, nomes como o do uruguaio Arrascaeta, do argentino Lionel Messi, do francês Kylian Mbappé e do brasileiro Neymar influenciam muitos registros.
Estes dados revelam que os destaques do futebol atuam como influenciadores, não só para batizados, mas para incentivar meninos e meninas a treinarem com a bola nos pés. Mas a influência vai muito além disso, pois jogadores famosos se tornam ídolos que transmitem admiração, confiança, desejo de imitação; e por isso são usados para propagandas diversas.
E aí surgem as bets, que são apostas on-line feitas em eventos esportivos. As transmissões dos jogos da Copa do Mundo da Fifa estão sendo bombardeados por propagandas de bets, e os principais atores usados são jogadores de futebol. Estes incentivam as pessoas a apostar com a ridícula e inútil frase final “jogue com responsabilidade”.
Os problemas causados pelas bets são um dos fenômenos mais preocupantes de saúde mental da atualidade. Jogar nas bets também é um vício que tem causado prejuízos sociais e econômicos de grande monta. Segundo a Confederação Nacional do Comércio, o varejo brasileiro perdeu perto de R$ 144 milhões para as bets nos últimos três anos, dado que as pessoas deixam de comprar bens e serviços necessários para si e para a família para apostar. Além do vício, há endividamento em massa, depressão, suicídios, colapso financeiro de pessoas e famílias; já que o jogo mexe com a impulsividade, esperança de ganho rápido, frustração e endividamento. As bets faturam milhões, com prejuízo zero.
Usando a confiança das pessoas, o ídolo promete diversão, diz que aposta é coisa “de vencedor”. Onde está a responsabilidade ética dos atletas e de outros profissionais que se prestam a incentivar as apostas nas bets? Há que se lembrar que estes ídolos não dependem das bets para ser milionários; o que torna mais antiética sua atitude ao iludir possíveis apostadores. Os principais craques do Brasil faturam milhões como garotos-propaganda das bets.
Neste mar de ganância, há quem se imponha contra a maré, assim como Felipe Luiz, ex-treinador do Flamengo, que recusou ofertas milionárias das casas de apostas. O mineiro Danilo Luiz - jogador da seleção brasileira - mostrou maturidade e responsabilidade social ao recusar o dinheiro das bets e apoiar o Block do Tigrinho - movimento de conscientização contra as apostas.
Na mesma linha, o capitão do time francês, Kylian Mbappé, comprou briga contra a própria federação de futebol ao recusar associar seu nome a marcas de bets que, segundo ele, ajudam a destruir famílias das periferias. Apoiado pelos jogadores Olise e Dembelê, Mbappé teve atitude de líder para além das quatro linhas do campo.
Aqueles que se recusam a usar a fama para participar da legitimação social de um jogo viciante, que distorce o entendimento da realidade, que destrói a vida pessoal e financeira, merecem ser considerados os verdadeiros campeões da Copa do Mundo 2026. Ao se recusarem a ser influências nocivas às outras pessoas, aprovaram a si mesmos num teste de caráter que é para poucos.
Fonte consultada: portalcultura.com.br
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