A Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC), que reúne 106 empresas jornalísticas associadas, que atuam no meio impresso e digital, solicita que a presente Nota de Repúdio seja lida integralmente em Plenário, para que o posicionamento institucional da entidade em defesa do jornalismo profissional, da imprensa local e do direito de acesso à informação seja formalmente apresentado e registrado nos anais desta Casa Legislativa.
A Adjori/SC, manifesta seu veemente repúdio às declarações feitas pelo vereador Felipe Niehus Furlam (PSDB), de Nova Veneza durante a Sessão Ordinária da Câmara de Vereadores, realizada em 9 de junho de 2026, a respeito da contratação de assinaturas de jornal impresso pelo poder público municipal.
Durante sua manifestação, o parlamentar classificou como “gasto absurdo” a contratação de dez assinaturas anuais de jornal impresso, no valor total de R$ 1.800, argumentando que, diante da atual era digital, duas assinaturas seriam suficientes e que estudantes e servidores utilizariam predominantemente o celular para acessar informações.
A Adjori/SC considera preocupante que um representante eleito pela população desmereça a importância do jornalismo profissional, da imprensa local e do acesso plural à informação, especialmente quando se trata de jornais que cumprem papel fundamental na cobertura dos municípios, na fiscalização do poder público, na preservação da memória das comunidades e na divulgação de fatos de interesse coletivo.
A existência de novas tecnologias e o crescimento do consumo de informação por meios digitais não tornam o jornal impresso obsoleto, tampouco diminuem a relevância do jornalismo produzido por profissionais. Pelo contrário: em um cenário marcado pela disseminação de desinformação e pela velocidade das redes sociais, veículos jornalísticos locais exercem papel ainda mais importante ao produzir conteúdo apurado, contextualizado e baseado em critérios profissionais.
Também é equivocada a ideia de que a relevância de uma assinatura possa ser medida pela quantidade de pessoas que estarão simultaneamente lendo um exemplar. Uma publicação jornalística em uma escola, biblioteca ou órgão público constitui fonte de pesquisa, consulta e conhecimento, permitindo que estudantes, professores, servidores e cidadãos tenham contato com informação produzida por veículos profissionais e com diferentes perspectivas sobre a realidade local e regional.
Os jornais locais não são apenas produtos impressos. São instrumentos de cidadania. Registram a história dos municípios, dão visibilidade às comunidades, acompanham as decisões dos poderes públicos, divulgam serviços e acontecimentos de interesse da população e contribuem diretamente para o fortalecimento da democracia.
A Adjori/SC reafirma, portanto, que defender a imprensa local é defender o direito da sociedade à informação. Questionamentos sobre gastos públicos são legítimos e fazem parte do exercício da atividade parlamentar. O que não pode ser naturalizado é utilizar o espaço institucional para desqualificar o jornalismo profissional ou reduzir sua importância com base em percepções pessoais sobre os hábitos de consumo de informação.
A imprensa catarinense, especialmente os jornais do interior, continuará cumprindo seu papel de informar, fiscalizar e dar voz às comunidades, seja no papel, seja nas plataformas digitais.
A Adjori/SC espera que o debate público seja conduzido com responsabilidade e respeito à atividade jornalística e reconhece que o fortalecimento dos meios de comunicação locais representa também o fortalecimento da democracia e do acesso da população à informação de qualidade.
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