Vivemos em um mundo conectado e contraditório. Ao mesmo tempo que a internet agrega ao abrir possibilidades, disseminar culturas e conhecimento, também é excludente quando é limitada e impede uma verdadeira legião de cidadãos de ter vez e voz na sociedade moderna. E não são poucos os que ainda estão desconectados e vivem um verdadeiro apagão digital.
Estamos em 2017 e - infelizmente - a inclusão digital está longe de ser uma realidade para metade da população mundial. Levantamento da União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostrou que 3,7 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda estão desconectadas. Outro dado preocupante: o número de usuários da internet em países pobres é limitado a menos de um terço da população - os menores índices mundiais estão no continente africano, onde o percentual de pessoas sem acesso à internet chega a surpreendentes 75%. As mesmas pesquisas mostram que, de cada dez pessoas conectadas, uma sai da pobreza e pelo menos um emprego é gerado.
Criador do Facebook, Mark Zuckerberg disse a líderes mundiais que integram a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em recente encontro em Lima (Peru), que "a melhor solução para a desigualdade é a conectividade". Com o know-how de quem agrega 2,7 bilhões de pessoas em uma única plataforma (um terço da humanidade hoje está no Facebook), o empresário norte-americano considera que o investimento em conectividade deva ser uma das prioridades do planeta. Nem poderia ser diferente. A grande questão é: como garantir que ninguém fique para trás nesse processo?
O primeiro passo é tomar o pensamento de Zuckerberg como verdadeiro e tratar a conectividade realmente como necessária ao desenvolvimento pessoal e profissional das pessoas.
E essa missão não deve ser exclusiva de Governos. O papel das administrações públicas deve ser o de garantir, via ações e leis que regulamentam os serviços privados e de mecanismos de incentivo, que todos possam acessar serviços online e de maneira corriqueira, incorporadas ao dia a dia.
É o que ocorre em Santa Catarina quando, pela internet, o cidadão pode pagar o IPVA do seu veículo e calcular o valor do seu ITCMD em caso de doações e heranças. Ou registrar um boletim de ocorrência. Ou, ainda, quando usamos a tecnologia a nosso favor e, pensando em controle e qualificação dos gastos, criamos aquele que é um dos melhores sistemas de planejamento e gestão fiscal do Brasil, batizado de SIGEF. Lançado em 2003 e aperfeiçoado constantemente, o programa coloca à disposição dos gestores informações online e atualizadas de contratos, receitas, despesas, transferências voluntárias e investimentos.
Ainda falando da realidade de Santa Catarina, digo com segurança que vivemos um oásis se comparado a outros Estados do Brasil quando se pensa em conectividade, tecnologia e internet. Tanto que, dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) mostram que a maioria dos catarinenses (88%) tem acesso à internet e usa o celular para navegar pela web, o que mostra um grau de conectividade elevado e responde em parte ao apelo de Mark Zuckerberg.
É claro que ainda temos muito o que evoluir, o que passa pelo investimento pesado - público e privado - em tecnologia e internet. Está mais do que na hora de se conectar, compartilhar ideias, conhecimento e criar oportunidades. Esse é o caminho para que cada vez mais pessoas possam dar o seu "like".
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