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Setembro Verde: estrutura do Estado garante segurança em etapas da doação e do transplante de órgãos

  • Luiz Eduardo da Costa Garcia/ HEMOSC - Equipamento utilizado pelo HEMOSC na realização do Teste de Detecção de Ácido Nucleico (NAT), cujos resultados auxiliam na avaliação do doador e na definição dos possíveis receptores

Para que um órgão possa ser transplantado, é necessário cumprir etapas que envolvem diferentes profissionais e instituições. Entre elas estão os exames laboratoriais que avaliam as condições do doador e fornecem informações essenciais para a validação dos possíveis receptores. Em Santa Catarina, líder nacional em doação de órgãos, uma rede estruturada atua de forma integrada para garantir que os órgãos sejam destinados com segurança e agilidade aos pacientes que aguardam por um transplante. No Dia Nacional da Doação de Órgãos, 27 de setembro, o Estado reforça a importância da conscientização e de uma conversa fundamental dentro das famílias: o desejo de ser doador.

Neste processo, o Centro de Hematologia e Hemoterapia de Santa Catarina (HEMOSC) desempenha uma função essencial. A instituição é responsável pela realização de exames laboratoriais que contribuem para avaliar as condições do doador e estabelecer parâmetros de compatibilidade entre doadores e receptores. O HEMOSC é a primeira hemorrede do Brasil a conquistar simultaneamente as três principais certificações de qualidade do setor: ISO, AABB e ONA.

“Santa Catarina é o estado brasileiro com a maior taxa de doadores efetivos de órgãos e a menor taxa de recusa familiar à doação. Isso é resultado de uma política de Estado construída de forma contínua e com o apoio das famílias catarinenses. Para que funcione, o sistema catarinense de doação de órgãos atua como uma engrenagem. E o Governo do Estado é fundamental nesse processo, pois proporciona uma estrutura de atendimento e de transporte terrestre e aéreo que atende a população do território catarinense e de outros estados, de forma segura e célere”, destaca o coordenador da SC Transplantes, Joel de Andrade.

Após a confirmação da morte e a autorização da doação pela família, o HEMOSC é acionado para os exames laboratoriais dos doadores de múltiplos órgãos. São feitos testes sorológicos, Teste de Detecção de Ácido Nucleico (NAT), tipagem sanguínea e exames de histocompatibilidade previstos na legislação. Os resultados são fundamentais para avaliar as condições clínicas e laboratoriais do doador e auxiliar na definição dos possíveis receptores.

De 1º de janeiro a 23 de setembro de 2026, o HEMOSC recebeu 639 amostras de candidatos à doação de tecidos oculares e de múltiplos órgãos sólidos para a realização dos exames necessários ao processo de transplante.

Entre as análises estão testes para HIV 1 e 2, doença de Chagas, sífilis, hepatites B e C, HTLV I/II, citomegalovírus e toxoplasmose. Também são realizados testes de detecção de ácido nucleico (NAT) para HIV, HCV (hepatite C) e HBV (hepatite B), que contribuem para a identificação de infecções virais.

O HEMOSC também realiza exames imuno-hematológicos, como a tipagem sanguínea direta e reversa e testes de imunogenética, incluindo a tipagem do Antígeno Leucocitário Humano (HLA) e a prova cruzada. Essas análises são especialmente importantes no transplante renal, que exige avaliação mais detalhada da compatibilidade imunológica entre doador e receptor.

"O trabalho realizado nos laboratórios do HEMOSC integra uma etapa decisiva de uma operação que exige precisão, segurança e agilidade para que os órgãos possam chegar aos pacientes compatíveis", explica a diretora-geral do HEMOSC, Patrícia Carsten.

Os resultados são encaminhados à SC Transplantes, responsável pela continuidade do processo de doação de órgãos e organização dos transplantes.

​Acompanhamento após o transplante

A atuação do HEMOSC também se estende ao período após o transplante. O serviço realiza exames que auxiliam no acompanhamento dos pacientes e no monitoramento de possíveis infecções, além de análises relacionadas ao tratamento imunossupressor.

Entre eles estão testes por PCR para citomegalovírus e poliomavírus, agentes que podem apresentar relevância clínica em pessoas imunossuprimidas, além da dosagem de ciclosporina, medicamento utilizado por pacientes transplantados, contribuindo para o acompanhamento da terapia imunossupressora.

​Doação começa com uma conversa em família

Os resultados alcançados por Santa Catarina na doação de órgãos são sustentados por uma rede que envolve profissionais de saúde, hospitais, equipes especializadas, serviços de apoio diagnóstico e transporte, além da atuação fundamental da SC Transplantes e do HEMOSC. Para que todo esse trabalho possa começar, porém, existe uma decisão essencial: a autorização da família.

Por isso, conversar sobre a doação de órgãos e manifestar aos familiares o desejo de ser doador é uma atitude simples que pode fazer a diferença. No Brasil, a decisão da família é fundamental para que a doação possa ser efetivada. Falar sobre o assunto em vida ajuda a transformar a vontade de doar em uma possibilidade concreta de salvar ou melhorar a vida de outras pessoas.


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