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QUEM TEM MEDO DO CONHECIMENTO?

Um reconhecido jogador de futebol dos anos 1990 posou nu para a revista G Magazine – direcionada a homens gays; em 2003. Na capa, em meio à frase “Túlio Maravilha exibe seu maior troféu”, o jogador segura uma bola de futebol para encobrir “as vergonhas”. Constrangedor, mas rendeu quase 1 milhão de reais ao peladão.

Agora ele surgiu do esquecimento para se gabar de que sua filha não terá permissão para estudar odontologia na UERJ ou nutrição na UFRJ, alegando que faculdades públicas não vêm de encontro com seus valores da família! Saiu do anonimato para viralizar nas redes sociais – não pela inteligência. 

Em outra frente temos a fala do pastor da Igreja Batista da Lagoinha (MG), sujeito que teve recentemente o CNPJ (do banco da igreja!) suspenso por suspeita de movimentação de recursos do Banco Master e participação da chamada “farra do INSS”. De sua luxuosa mansão em Orlando, na Flórida – EUA, ele gravou vídeo, enviado aos fiéis no Brasil: “Não manda seu filho pra faculdade pra virar um idiota, pra virar um vagabundo.” “Você vai criar uma filha pra virar uma vagabunda?” “A faculdade pode mandar os filhos para o inferno.”

Estas falas contra as universidades e contra o conhecimento vêm da ideia de que o ambiente universitário levaria os jovens a abandonar os valores cristãos, a questionar a autoridade dos pais, adquirir maus comportamentos.

Estão dentro de um fenômeno de demonização das universidades públicas e contra o intelectualismo, vindo principalmente de ambientes religiosos e políticos que afirmam que a universidade é um lugar de doutrinação ideológica, degradação moral, de ataque à família e à fé.

Aqueles que quiseram subir na vida e na carreira, e estudaram para isso, sabem o quanto é difícil galgar a estrada do sucesso e também sabem que sem estudo pouco se alcança. Aqueles que querem estudar agora teriam que desistir porque seus pais preferiram escutar discursos contra o conhecimento em vez de apoiar os estudos de filhos e filhas? Ou quem sabe eles deixem os estudos para posar nus? Ou talvez enriqueçam às custas da fé dos outros?

Este discurso anti-intelectualismo aparece quando forças religiosas, políticas ou culturais se sentem incomodadas em seu poder, chegando a afirmar que estudar demais é perigoso. “Não é coincidência que campanhas contra universidades apareçam sempre associadas a discursos contra professores, contra a ciência, contra o pensamento crítico”, diz o professor e jornalista Victor Barone.

Barone diz que alguns se sentem ameaçados em seu poder pelas universidades porque nelas “existe diversidade de ideias, existe ciência, existe debate e reúne pessoas de diferentes origens sociais, diferentes crenças, diferentes orientações.” “A universidade não existe para confirmar certezas, existe para fazer perguntas e perguntas podem ser profundamente subversivas; porque quando alguém estuda sociologia começa a ver desigualdades, quem estuda história começa a questionar narrativas prontas, quando alguém estuda ciência, descobre que a realidade não depende de dogmas religiosos.”

Jovens saem das universidades mais autônomos e não obrigatoriamente ateus, socialistas ou revolucionários. Em sistemas baseados em uma obediência absoluta a autonomia causa transtornos. Barone complementa: “Nenhuma fé verdadeira precisa temer o conhecimento. Nenhuma religião sólida precisa da ignorância para sobreviver. 

Aquele sujeito que se autodenominou maravilha poderia ter ficado quieto, mas diante da chance de ter algum holofote sobre si, preferiu usar a ignorância. O pastor que vive no luxo no exterior faria também um favor à humanidade se não abrisse a boca para amedrontar pais de estudantes, incentivando o obscurantismo. Que Jesus ele representa??? 

O falso moralismo não resiste diante da confrontação com a realidade. Estes defensores da família, da moral e dos bons costumes se contradisseram com seus exemplos de vida. Não passam de produtos de mentes limitadas que tentam limitar a vida dos outros. Existem aos milhares, os donos de uma moral rasa que têm preço, que se curvam ao conforto do dinheiro.

Ao querer controlar o que as pessoas ouvem, o que estudam, o que aprendem, o que pensam, não se avança no conhecimento. Agir assim é duvidar da capacidade de discernimento dos estudantes, pois quem deve ter medo do conhecimento é a ignorância. Ameaçadora é a desinformação, triste é o desconhecimento.

Se as pessoas forem direcionadas a perguntar, a pesquisar, a buscar o conhecimento, teremos uma sociedade em que o saber será instrumento de libertação da ignorância, de aprendizado relevante e duradouro.

Fonte pesquisada: Que Medo das Universidades! Victor Barone. Revista Semana On.

 


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