
Na semana passada, nos desviamos do nosso eixo e deixamos de lado o que foi dito na sessão da Câmara. Querido leitor, não cometamos o mesmo erro! Voltemos ao propósito: livros e política. E, curiosamente, a própria ideia de 'voltar' – ou evoluir – permeou as discussões da Câmara. Entre aposentadorias, segurança e trânsito, o que se pede é mudança. Mas mudar significa avançar ou retornar? Dilema interessante.
Já discutimos aqui que nem sempre voltar é melhor. Mas, principalmente, já falamos que nem toda mudança, alteração, progresso ou desenvolvimento é, de fato, positivo.
O leitor atento já percebeu aonde queremos chegar. Exatamente: nem toda evolução é para o bem, assim como nem todo passado é um mar de rosas. A evolução tecnológica, por exemplo, não garante progresso moral e social – como os repugnantes episódios de violência contra a mulher não param de demonstrar.
Lá em 2023, quando falamos do livro sobre a evolução de Darwin, nos limitamos a desmistificar as acusações de ateísmo que pesam contra ele. Contudo, há ali um comentário que merece voltar à tona: toda alteração, por menor que seja, deve trazer alguma vantagem; caso contrário, será descartada. É fácil compreendermos essa regra para os grandes pescoços das girafas, mas para o ser humano, é um pouco mais complexo. Espartanos descartavam os bebês considerados fracos, que teriam feito com o Stephen Hawking?
Mas isso não nos impede de questionar e analisar o que nos cerca:
Mas e quando, em vez de evoluir, escolhemos voltar para trás?
Resumo da ópera: alguns exemplos e pensamentos dispersos, muita conversa fiada e nenhuma solução, ou seja, voltamos ao padrão. Ahã, desatento leitor, quase esquecemos! Falta ainda a sua parte na história. Então, vai lá: Peça ao seu estimado vereador uma árvore na sua rua. Uma só.
Lembremos todos que, se queremos progresso, precisamos entender que nem toda mudança é evolução – e nem todo passado merece ser resgatado. Como diria Russell Kirk em A Mentalidade Conservadora, 'o equilíbrio entre a paixão dos reformadores e a prudência dos conservadores' é essencial. Mas equilíbrio não significa estagnação. A questão é: estamos mudando para onde – e por quê?
Ensino à distância. Permitiu o acesso educacional a quem estava longe, mas, como método único, se revelou insuficiente para ensinar. Áreas como saúde e educação já estão revendo a porcentagem permitida para a modalidade.
Uso do celular na sala de aula. Uma nova lei tentará abrandar a restrição, mas a proibição era necessária. O motivo é simples: acesso à informação não é conhecimento. Ponto.
Esgoto. Média do Brasil: 50%. Sudeste: 60%. E Otacílio Costa? Bom… Os sumérios, há 3.000 anos, já sabiam que tratar esgoto previne doenças. Mas nós, Otacilienses, preferimos discutir mesquinharias políticas e financeiras enquanto enaltecemos os 30% de privilegiados atendidos pela rede básica. Ou seja, insistimos em regredir, em vez de progredir.
Áreas verdes. No início da década de 1990, criamos no Brasil o curso de Engenharia Ambiental e começamos a discutir a questão. No começo dos anos 2000, o prefeito Altamir criou o horto e trouxe à pauta o planejamento urbano. Vinte anos depois, cortamos as árvores da pracinha, das ruas, da prefeitura e de onde mais pudermos, aqui na "capital da madeira". Reduzimos o horto e não criamos nenhum outro parque público, nenhuma nova área ao ar livre, nenhuma sombra. Por quê? Porque buscamos o crescimento das cidades do século XX, mas ignoramos a qualidade de vida que tantas cidades vizinhas – Rio do Sul, Pouso Redondo, Laurentino, Taió… – decidiram priorizar.
Energias renováveis. A eólica e a solar atingiram um ponto de saturação e, na próxima década, veremos sua participação diminuir na matriz energética. Carros elétricos empolgam tanto quanto interruptores acionados por voz.
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