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Estudos dos rios Canoas e Desquite avançam e apontam possíveis soluções para reduzir inundações em Otacílio Costa

Levantamentos técnicos identificaram bancos de areia, troncos de árvores, objetos descartados irregularmente e pontos de estrangulamento dos canais. Propostas de intervenções estruturais estão em análise e deverão ser apresentadas à comunidade ainda em 2026.

O coordenador da Defesa Civil de Otacílio Costa, Fabiano Ludvig, e representantes do município, entre eles o vereador Renildo Souza e os moradores Paulo Roberto Silva, Jerry Debarba e Marcelo Martins, participaram, na última terça-feira, dia 27 de outubro, de uma reunião com a equipe técnica da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), responsável pelos estudos dos rios Canoas e Desquite. O encontro ocorreu na sede da instituição, em Itajaí, no litoral norte catarinense, e teve como objetivo apresentar os resultados mais recentes das análises realizadas pelos profissionais.

A comitiva otaciliense foi recebida pelos professores José Gustavo Natorf de Abreu, doutor em Geociências, oceanógrafo e especialista em Geologia e Geofísica Marinha, e Tadeu de Souza Oliveira, doutor em Engenharia Civil, Geociências e Geofísica.

Durante a reunião, os representantes de Otacílio Costa tiveram acesso às informações do relatório técnico, que reúne diagnósticos dos dois rios a partir de levantamentos de batimetria e topografia. Os estudos buscam identificar os principais fatores que dificultam o escoamento das águas e subsidiar a elaboração de propostas para minimizar os problemas de alagamentos e inundações que historicamente afetam diferentes regiões do município.

Bancos de areia e obstáculos prejudicam o escoamento

Conforme os técnicos, o levantamento batimétrico, que consiste na medição das profundidades do leito dos rios, identificou bancos de areia em três segmentos mapeados do Rio Canoas. Esses acúmulos de sedimentos reduzem a capacidade de vazão do canal, dificultando o escoamento da água e contribuindo para os episódios de inundação registrados em Otacílio Costa.

Outro ponto de atenção está na desembocadura do Rio Desquite, onde foi constatada uma profundidade aproximada de 2,5 metros. Segundo as análises apresentadas, caso a dragagem seja considerada uma alternativa para melhorar o escoamento das águas, esse trecho deverá receber atenção prioritária.

O estudo também identificou troncos de árvores caídos no leito dos rios, além de sofás, geladeiras e outros objetos descartados irregularmente nesses locais. Esses materiais funcionam como obstáculos à passagem da água, podendo comprometer o fluxo e reduzir a capacidade de escoamento em determinados trechos.

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Estudos apontam possíveis intervenções estruturais

A combinação dos levantamentos topográficos e batimétricos permitiu à equipe técnica realizar simulações hidrológicas e elaborar mapas que representam diferentes cenários de inundação. Essas informações são fundamentais para avaliar os níveis que as águas podem atingir e estudar alternativas de engenharia capazes de reduzir os impactos das cheias.

Entre as possibilidades apresentadas estão a construção de túneis ou galerias para facilitar a passagem da água entre diferentes trechos dos canais.

Uma das intervenções sugeridas prevê uma galeria com aproximadamente 180 metros nas proximidades da cabeceira da ponte da Klabin, em um ponto onde o canal do rio apresenta um estreitamento. Para esse local, também foi proposta a implantação de guias correntes na entrada e na saída da estrutura, com a finalidade de direcionar o fluxo da água.

Outras duas passagens subterrâneas, com cerca de 500 metros cada, foram sugeridas mais ao sul. Nessas regiões, a diferença de altitude entre os canais é menor e o terreno apresenta características mais planas, o que poderá favorecer a construção de estruturas sob as ruas existentes.

Os técnicos ressaltaram que essas alternativas ainda são propostas preliminares e não possuem dimensões definidas em projetos de engenharia. Portanto, as possibilidades deverão ser avaliadas e aprofundadas nas próximas etapas dos estudos.

Trabalho busca soluções para um problema histórico

A Universidade do Vale do Itajaí foi contratada para realizar os estudos técnicos dos rios Canoas e Desquite, com foco na identificação de pontos críticos de acúmulo de sedimentos e detritos, na avaliação das condições de escoamento e na proposição de intervenções que possam contribuir para a prevenção de enchentes.

Os trabalhos específicos relacionados ao desassoreamento tiveram início em 20 de fevereiro de 2026. Posteriormente, em 24 de julho, a Prefeitura de Otacílio Costa e a equipe da universidade promoveram uma apresentação pública para compartilhar com a comunidade o andamento dos levantamentos técnicos.

O problema das inundações no município está relacionado, entre outros fatores, à dinâmica dos rios Canoas e Desquite. O grande volume de água transportado pelo Rio Canoas pode dificultar a vazão do Rio Desquite, contribuindo para o transbordamento em períodos de chuvas intensas.

Em outubro deste ano, a elevação dos níveis dos dois rios voltou a provocar transtornos, exigindo a retirada de famílias de áreas de risco e mobilizando equipes municipais para ações de proteção e atendimento à população.

A expectativa é que os resultados consolidados dos estudos sejam apresentados à comunidade otaciliense ainda em 2026. A partir das conclusões técnicas, será possível conhecer com maior precisão as alternativas recomendadas e os próximos passos para avançar na busca por soluções para um dos problemas históricos enfrentados pelo município.

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