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Oferta menor deve manter aquecido preço do pinhão
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Oneris Lopes -
Com uma oferta em média 35% menor que a safra do ano passado, o preço do pinhão deve se manter aquecido nesse início de colheita. É o que preveem pesquisadores, produtores rurais, colhedores e autoridades que participaram na manhã dessa terça-feira, primeiro de abril, da abertura oficial da colheita do pinhão, em Painel.
O preço do quilo da iguaria deve variar entre R$ 10,00 e 15,00 nas gondolas dos estabelecimentos comerciais. A solenidade que prenunciou a colheita, aconteceu na propriedade denominada Morro do Baixeiro, cerca de 2 Km do perímetro urbano de Painel. Uma sapecada foi feita para comemorar a chegada da colheita.
O município é considerado o maior produtor de pinhão de Santa Catarina, com estimativa de 70% da produção estadual. De acordo com a lei 15.457, de 17 de janeiro de 2011 é proibida a colheita, transporte e a comercialização da semente antes do dia 1º de abril. A partir de agora, os colhedores e proprietários rurais iniciam a colheita que deve se estender até agosto.
A solenidade de abertura da colheita foi organizada pela Epagri em parceria com a prefeitura de Painel. Segundo o engenheiro agrônomo José Márcio Lehmann, gerente regional da Epagri em Lages, ao menos 30% das famílias do meio rural da Serra Catarinense, tem no pinhão uma das principais fontes de renda nessa época do ano.
“São pelo menos mil famílias que passam a depender da colheita do pinhão. A semente é para eles, um dos principais componentes da renda familiar. Isso traduz a importância desse momento”, explicou José Márcio Lehmann. O prefeito de Painel, Marcio José Andrade, disse que a renda das famílias com o pinhão ajuda nas melhorias das propriedades.
“E não só nas melhorias das propriedades, o pinhão ajuda a engordar gado e porcos, pois nos campos as pastagens escasseiam nessa época e os animais procuram pinhão caído nas matas para se alimentar”, disse o prefeito. Se por um lado, a oferta é menor esse ano, o preço deve ajudar a compensar a menor oferta. Em toda Serra catarinense a estimativa da Epagri é de uma colheita de cerca de 4,5 mil toneladas de pinhão neste ano.
Produtor confirma queda da produção
O produtor rural Jaison de Liz Rosa, abriu as portas da propriedade para receber a imprensa e as autoridades nessa terça-feira, em Painel. Junto com o filho, Jadson Alves Rosa, ele informou que deve colher 3 toneladas de pinhão na safra de 2025. Há mais de 30 anos, ele faz o extrativismo de pinhão na propriedade que era de seus avós. E agora, ensina o filho a tradição da colheita.
“Aqui na nossa propriedade a produção deve cair pela metade. Vemos que as araucárias têm poucas pinhas e isso vai se reverte em pouco pinhão. Vemos isso em diversas outras propriedades vizinhas”, afirma Jaison Rosa. Reconhecida por lei estadual como a Capital Catarinense do Pinhão, Painel dá o tom na safra regional de pinhão a cada ano.
Jaison Rosa afirma que o pinhão responde pela maior parte da renda anual da família. E disse que a maior dificuldade para colheita é que as florestas estão ficando muito densas e altas. “Não existe hoje, um manejo legal, viável e sustentável para a araucária. Dependemos 100% da floresta natural e não estamos fazendo nada para melhorar a produtividade da floresta de araucária”, lamenta o produtor.
Para ele, as enxertias poderiam ser uma solução para melhorar a produtividade e a renda nas propriedades rurais. A orientação da Epagri tem sido importante para o produtor sobre o cultivo, processamento, mercado, agroindústria e várias outras questões relacionadas ao pinhão. Mas ainda há muito o que avançar para que o pinhão se transforme num protagonista ainda maior, nas pequenas propriedades.
Texto e fotos: Onéris Lopes
Assessoria de Comunicação – Amures
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