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Entre avanços e feridas abertas: o desafio de proteger as mulheres em Santa Catarina

Por Dr. Vicente Caropreso

Médico Neurologista e Deputado Estadual

 

O Dia Internacional da Mulher é uma data de celebração e de reflexão sobre desafios que ainda persistem quando o assunto é igualdade de gênero. Santa Catarina é terra de mulheres que inspiram, lideram e fazem a diferença no setor privado, no serviço público e na política.

 

Um exemplo simbólico vem do município de Schroeder. Lá, pela primeira vez, a Câmara de Vereadores passou a ter maioria feminina. Cinco das nove cadeiras são ocupadas por mulheres. Um fato inédito em Santa Catarina, que mostra o avanço da participação feminina nos espaços de decisão.

 

Mas em paralelo a esse cenário de conquistas existe uma realidade dura: a violência contra a mulher.

 

Em 2025, o Brasil registrou cerca de 1.500 feminicídios, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia. Em quase 90% dos casos, o crime foi cometido por companheiros ou ex-companheiros, muitas vezes dentro da própria casa da vítima.

 

Santa Catarina também enfrenta números preocupantes. Entre janeiro e novembro de 2025 foram 48 feminicídios, praticamente uma mulher morta por semana, além de 225 tentativas de feminicídio. No mesmo ano, a Justiça concedeu 31.655 medidas protetivas, uma a cada 15 minutos. Em janeiro de 2026, mais de 3 mil novos pedidos de proteção foram registrados.

 

O ano mal começou. E até o final de fevereiro, Santa Catarina já contabilizou oito feminicídios. Entre eles, o caso de Priscila Dolla, de Rio Negrinho, que chegou a gravar as agressões e implorar para não ser morta.

 

Esses números não são apenas estatísticas. São histórias interrompidas, famílias destruídas e filhos que crescem sem suas mães.

 

Por isso, considero extremamente importante a nova campanha do Governo do Estado de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A iniciativa busca romper o silêncio e convocar toda a sociedade, especialmente os homens, a rever comportamentos. Precisamos enfrentar a cultura patriarcal ainda presente em muitos ambientes.

 

No meu mandato na Assembleia Legislativa, tenho defendido medidas concretas. Um projeto de minha autoria permite que mulheres possam adquirir dispositivos de eletrochoque para defesa pessoal. É um instrumento de proteção, pois sabemos que a polícia não pode estar em todos os lugares.

 

Outra proposta cria a Política Estadual de Reeducação de Homens Autores de Violência Doméstica, com acompanhamento psicossocial obrigatório. O objetivo é quebrar o ciclo da violência e reduzir a reincidência, evitando que novas mulheres se tornem vítimas.

 

Celebrar as mulheres é reconhecer sua força e sua contribuição para a sociedade. Mas protegê-las é uma responsabilidade coletiva. Uma sociedade verdadeiramente justa não tolera a violência e trabalha todos os dias para garantir respeito, segurança e dignidade para todas.

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