Cirlene Aparecida Coelho: uma vida de trabalho, fé e superação no comércio de Otacílio Costa |
Cirlene Aparecida Coelho: uma vida de trabalho, fé e superação no comércio de Otacílio Costa
A história de Cirlene Aparecida Coelho, 62 anos, se confunde com o desenvolvimento do Comércio de Otacílio Costa.
Filha de João Batista Figueiredo e Érica Velho de Figueiredo, ela cresceu em meio ao balcão e às prateleiras, acompanhando de perto o trabalho dos pais, que sempre atuaram no setor comercial.
Em 1980, casou-se com Silvio Coelho de Liz (in memoriam) e passou a dividir com ele não apenas a vida, mas também os desafios do empreendedorismo.
Na época, o marido já possuía uma loja de materiais de construção, e Cirlene esteve ao seu lado desde o início.
“Sempre trabalhei junto com ele. Aprendi muito sobre comércio e também comecei a fazer tricô para complementar a renda”, relembra.
Com o encerramento do primeiro negócio, o casal investiu em uma loja de móveis, em sociedade com familiares. No entanto, a enchente de 1983 trouxe prejuízos e a empresa acabou fechando.
Diante das dificuldades, a família decidiu recomeçar em Lages, onde Silvio passou a trabalhar em uma empresa de ônibus. Foram dois anos fora — a única vez em que Cirlene morou longe de Otacílio Costa.
De volta à cidade natal, o casal abriu uma lanchonete. Mesmo sem experiência, ela enfrentou o desafio com determinação. “No começo foi complicado, mas com garra aprendi e deu muito certo. Foi um sucesso”, conta.
O casal chegou a cogitar abrir um negócio no litoral, mas optou por permanecer no município onde construiu sua história.
O nascimento do Lojão do Povo
A ideia que mudaria definitivamente o rumo da família surgiu de forma inesperada. Após venderem a lanchonete, foram a uma cidade vizinha repor algumas utilidades domésticas que haviam comercializado.
Durante as compras, Silvio sugeriu: “Vamos montar uma loja tipo essa em Otacílio Costa”. Cirlene gostou da proposta, e assim nasceu, por volta de 1990 ou 1991, o Lojão do Povo.
O empreendimento cresceu ano após ano, ampliando o mix de produtos e conquistando clientes. Porém, a chegada das lojas de produtos a preço popular — conhecidas como “1,99” — trouxe forte concorrência e quase levou ao fechamento da loja. “Passamos por dificuldades, mas com fé em Deus criamos também uma seção de 1,99 e conseguimos superar”, recorda.
Dor, recomeço e fé
No momento em que enfrentavam desafios no comércio, a família recebeu duas situações marcantes: a doença de Silvio e, ao mesmo tempo, a chegada do tão sonhado filho, João Gabriel Figueiredo Coelho, hoje com 23 anos.
A alegria do nascimento foi acompanhada pela dor da perda. Silvio faleceu quando o menino ainda era bebê. “Fiquei com um filho de pouco mais de um ano, sem pensão e com muitas dificuldades financeiras. Tive que começar do zero”, relembra emocionada.
Com apoio da família — especialmente da mãe, que ajudava a cuidar do neto — Cirlene trabalhou incansavelmente. Durante o dia atendia sozinha na loja e, à noite, atuava na pizzaria do irmão para complementar a renda.
Com o tempo, mudou o endereço do comércio para um espaço próprio. Embora menor, o local se destaca pela grande variedade de produtos e pelo atendimento próximo ao cliente.
Hoje, Cirlene comemora a estabilidade do negócio e o reconhecimento da comunidade.
“É engraçado, porque sempre que alguém me encontra na rua diz que lembrou da panela ou do liquidificador que precisa levar para eu consertar. Sempre vira motivo de risada”, comenta.
Novos planos
Para o futuro, Cirlene planeja focar ainda mais em linhas de alumínio, cerâmicas e panelas de diversos tamanhos e modelos. Também continuará oferecendo peças de reposição, consertos de jarras de liquidificadores, copos de cadeiras e componentes de fogões — itens que se tornaram marca registrada da loja.
Movida pela fé, ela resume sua trajetória com uma mensagem que carrega como lema de vida: “Quando você tem um Deus vivo no coração, não tem medo de subir montanhas. Se precisar descer ladeiras, desça com coragem e fé, e depois suba ainda mais alto, com Deus te guiando sempre”.
Entre enchentes, mudanças, perdas e recomeços, Cirlene construiu uma história de perseverança, dedicação e amor pelo comércio local — uma trajetória que inspira e reforça a força da mulher empreendedora em Otacílio Costa.
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