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Produtor de Otacílio Costa colhe 12 toneladas de moranga por hectare, mas enfrenta crise de preços

Moranga terá boa safra, porém o preço não está ajudando. Produtor da localidade de Vila Aparecida entregou a safra a 0,30 centavos o quilo, preço não cobre as despesas

Na pequena comunidade de Vila Aparecida, no interior de Otacílio Costa, o agricultor Alceu Pereira de Andrade, de 68 anos, comemorou uma safra surpreendente, mas amarga. Em uma área de dois hectares, ele colheu 24 toneladas de moranga da variedade Takayama, doze toneladas pro hectare. No entanto, o preço de venda do produto tornou a conquista uma preocupação.

No dia 28 de janeiro, seu Alceu, com a ajuda da família, estava carregando a produção para ser comercializada no estado de São Paulo. Apesar de considerar a safra boa, ele lamenta os prejuízos causados pela queda drástica no valor pago pelo quilograma do produto.

A produção foi vendida por R$ 0,30 o quilo, valor que, segundo o agricultor, não cobre nem as despesas da safra. "A safra superou as expectativas, no entanto, o preço ficou muito abaixo do que esperávamos. Na verdade, não dá para cobrir as despesas", desabafou seu Alceu.

Ele relembra que, no ano anterior, o preço do quilograma da moranga ultrapassou R$ 3,00. Comparando com o cenário atual, a queda no valor foi drástica. "Desta forma, não vale a pena permanecer com a cultura da moranga, pois o preço não compensa", afirmou o produtor, preocupado com a viabilidade econômica de seu trabalho no campo.


Impactos no setor agrícola

A situação enfrentada por Alceu não é isolada. A queda nos preços de produtos agrícolas, combinada com os altos custos de produção, tem colocado em xeque a sustentabilidade de muitas culturas na região. Especialistas apontam que fatores como excesso de oferta e baixa demanda em mercados específicos podem pressionar os valores, mas também ressaltam a necessidade de políticas públicas que garantam melhores condições de comercialização para os pequenos produtores.

Enquanto isso, seu Alceu segue com o trabalho, mesmo diante das adversidades. "A gente planta com esperança, mas, quando chega a hora de vender, muitas vezes é desanimador", concluiu o agricultor, refletindo sobre o futuro incerto da sua atividade.


Preço da moranga despenca devido à grande oferta no Sul e Sudeste

O engenheiro agrônomo da Epagri, Murilo Nunes, destacou que o preço da moranga está entre os mais baixos já registrados. "Nunca vi algo assim", afirmou.

Segundo ele, a produtividade deste ano foi satisfatória, com muitos agricultores colhendo entre 10 e 12 toneladas, e em alguns casos até mais. Porém, o excesso de produção nas regiões Sul e Sudeste, especialmente nos estados do Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, resultou em um grande desequilíbrio entre oferta e demanda, derrubando os preços no mercado.

"Mesmo com boas colheitas, os agricultores enfrentam dificuldades porque os valores de venda não cobrem os investimentos feitos na lavoura", explicou Murilo, destacando que o alto custo de produção agravou ainda mais a situação.

O secretário municipal de Agricultura, Marzinho da Silva, também expressou preocupação com a realidade enfrentada pelos produtores. "Estamos acompanhando de perto as dificuldades. Apesar da safra ter um bom volume, o preço pago pela moranga é desmotivador e gera prejuízos. Nosso objetivo é buscar alternativas para minimizar os impactos, seja por meio de incentivos locais ou parcerias com outros mercados que valorizem mais o trabalho dos agricultores", ressaltou Marzinho.

 

 Recomendações para os produtores de moranga


Para minimizar os prejuízos causados pelos baixos preços, o engenheiro agrônomo Murilo Nunes e o secretário Marzinho da Silva sugerem algumas estratégias práticas:

Priorizar vendas para comerciantes confiáveis: Escolha negociar com compradores idôneos para garantir o recebimento e evitar problemas financeiros.

Evitar prazos longos de pagamento: Prefira vendas à vista ou com prazos curtos, reduzindo o risco de inadimplência.

Armazenar os frutos corretamente: Se possível, mantenha a produção em locais arejados e secos por um curto período, para tentar vendê-la em um momento de preço mais favorável. Contudo, atenção: o armazenamento prolongado pode resultar em perdas pós-colheita.

Explorar mercados alternativos: Busque novos canais de comercialização, como feiras regionais, mercados especializados, vendas diretas ao consumidor ou até a transformação do produto para agregar valor.

 

Planejamento é essencial para evitar perdas

Murilo e Marzinho reforçam a importância de um planejamento eficiente na produção. "O escalonamento dos plantios, considerando a diversidade climática e as oscilações de preço durante a colheita e comercialização, pode ser uma solução a médio e longo prazo", enfatizou Murilo.

A adoção de estratégias alinhadas ao mercado e o incentivo ao fortalecimento da agricultura familiar podem garantir a sustentabilidade da cultura e evitar que os agricultores enfrentem prejuízos como os registrados nesta safra.


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