Precisamos refletir sobre nossa produtividade.
O debate sobre a reforma trabalhista no Brasil evidencia quanto ainda estamos atrasados em termos de gestão e eficiência no trabalho. Deveríamos estar discutindo como melhorar a nossa produtividade, já que nesse quesito o Brasil figura na 56ª colocação em uma lista com 61 nações, segundo ranking do Instituto Internacional de Desenvolvimento de Gestão divulgado neste ano. Note que não estou falando em aumentar o volume de trabalho, mas em melhorar os resultados do que fazemos. Esse é o verdadeiro conceito de produtividade.
Esse desafio vale também - e arrisco dizer principalmente - para a esfera pública. Os governos em geral já gastam mais da metade do que recebem em impostos com a folha de pagamento de servidores. Em Santa Catarina, os gastos com pessoal aumentaram R$ 5 bilhões entre 2011 e 2015, uma evolução de 56%. Não há mais espaço para aumentar impostos. No entanto, há uma pressão diária de sindicatos de servidores para novas contratações. Como fechar essa conta? Precisamos urgente fazer mais com menos gente, sem sobrecarregar ninguém. É possível.
Como? Especialistas em gestão apontam três saídas: capacitação, melhoria de processos e adoção de tecnologias, todas interligadas, ou seja, cada um desses fatores depende do outro para funcionar de forma eficaz. Em resumo, se o servidor estiver bem treinado para fazer seu trabalho e usar processos eficientes com o apoio de sistemas tecnológicos (por exemplo, o pregão eletrônico), a consequência imediata é um ganho de produtividade e de qualidade no trabalho, em outras palavras, melhor atendimento ao cidadão.
Com esse viés, está em andamento no governo de Santa Catarina o projeto Estado na Medida. É um trabalho que demanda tempo para trazer resultados concretos, principalmente porque depende de mudança da cultura organizacional. Em geral, ninguém quer sair de sua zona de conforto. Por isso, acaba fazendo tudo sempre da mesma maneira, incluindo ações que nem precisariam ser feitas. Vale citar Peter Drucker: "nada é menos produtivo do que tornar eficiente algo que nem deveria ser feito". Não podemos mais admitir isso no setor público.
Voltando à equação da produtividade, eu defendo muito um quarto fator: a meritocracia. Premiar servidores de acordo com os resultados gerados pelos seus esforços é fundamental para fazer mais com menos gente, ou melhor, oferecer serviços de qualidade sem aumentar os gastos com a folha. Passar num concurso público não pode ser o único mérito de um servidor. É só o primeiro. Todos os dias devemos mostrar para nós mesmos e nossos patrões, os cidadãos, a importância do nosso trabalho. A melhor forma de fazer isso é apresentar resultados, bons resultados!
Há quem acredite que não há como medir o desempenho do servidor público de forma objetiva. Eu discordo. Não há melhor mérito que saber que você cumpre a função pela qual foi contratado. E aqui está o ponto de partida para estabelecer as metas e os critérios de avaliação do desempenho. Qual é a missão de um auditor fiscal? Arrecadar impostos e recuperar tributos sonegados. E de um policial? Garantir a segurança. E do professor? Que os alunos aprendam. Não se trata de implantar um "sistema de cobrança". Na esfera pública, o lucro é a satisfação do cidadão. Esse deve ser o principal objetivo de uma gestão por resultados.
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